12 Uma palavra se me disse em segredo; e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela.
13 Entre pensamentos de visões da noite, quando cai sobre os homens o sono profundo,
14 sobreveio-me o espanto e o tremor, e todos os meus ossos estremeceram.
15 Então, um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne;
16 parou ele, mas não conheci a sua feição; um vulto estava diante dos meus olhos; e, calando-me, ouvi uma voz que dizia:
17 Seria, porventura, o homem mais justo do que Deus? Seria, porventura, o varão mais puro do que o seu Criador?
18 Eis que nos seus servos não confia e nos seus anjos encontra loucura;
19 quanto mais naqueles que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e são machucados como a traça!
20 Desde de manhã até à tarde são despedaçados; e eternamente perecem, sem que disso se faça caso.
21 Porventura, não passa com eles a sua excelência? Morrem, mas sem sabedoria.
Jó 5
1 Chama agora; há alguém que te responda? E para qual dos santos te virarás?
2 Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo.
3 Bem vi eu o louco lançar raízes; mas logo amaldiçoei a sua habitação.
4 Seus filhos estão longe da salvação; e são despedaçados às portas, e não há quem os livre.
5 A sua messe a devora o faminto, que até dentre os espinhos a tira; e o salteador traga a sua fazenda.
6 Porque do pó não procede a aflição, nem da terra brota o trabalho.
7 Mas o homem nasce para o trabalho, como as faíscas das brasas se levantam para voar.
8 Mas quanto a mim eu buscaria a Deus, e a ele dirigiria a minha fala.
9 Ele faz coisas tão grandiosas, que se não podem esquadrinhar; e tantas maravilhas que se não podem contar.
10 Ele dá a chuva sobre a terra e envia água sobre os campos,
11 para pôr os abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação.
12 Ele aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito.
13 Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita.
14 Eles, de dia, encontram as trevas; e, ao meio-dia, andam como de noite, às apalpadelas.
15 Mas ao necessitado livra da espada da sua boca, e da mão do forte.
16 Assim, há esperança para o pobre; e a iniquidade tapa a sua própria boca.
17 Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus castiga; não desprezes, pois, o castigo do Todo-Poderoso.
18 Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
19 Em seis angústias, te livrará; e, na sétima, o mal te não tocará.
20 Na fome, te livrará da morte; e, na guerra, da violência da espada.
21 Do açoite da língua estarás abrigado; e não temerás a assolação, quando vier.
22 Da assolação e da fome te rirás; e os animais da terra não temerás.
23 Porque até com as pedras do campo terás a tua aliança; e os animais do campo estarão contigo.
24 E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e nada te faltará.
25 Também saberás que se multiplicará a tua semente, e a tua posteridade, como a erva da terra.
26 Na velhice virás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.
27 Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o e medita nisso para teu bem.